Dilma diz que somente ela “teve votos”, mas quer ser julgada junto com Temer. Ué?

Na ação do TSE, a defesa de Dilma protocolou na última sexta-feira (2) um parecer jurídico-contábil para reforçar o argumento de indivisibilidade entre as contas da petista e do então candidato a vice Michel Temer (PMDB). As informações são da Jovem Pan.

Assinado pelo ex-ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso e pelo contabilista Cláudio Wagner, o parecer diz que não há precedente na Justiça Eleitoral de divisão de contas entre titular e vice em processos de cassação de chapa.

Segundo a dupla, as receitas da conta Temer representariam 5,67% do total arrecadado pela campanha. Foram R$ 19 milhões arrecadados pelo peemedebista em um total de R$ 350 milhões. Além disso, a defesa de Dilma argumenta que 81% do que foi arrecadado por Temer acabou sendo redistribuído para outros candidatos do PMDB em oito Estados.

“A maior parte foi para o PMDB do Rio Grande do Sul, onde a chapa perdeu. Ou seja, a participação da conta Temer foi ínfima na campanha”, disse o advogado Flávio Caetano, coordenador jurídico da defesa da presidente afastada. Ele diz que o documento que será apresentado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) vai contrapor o parecer apresentado pela defesa de Temer, assinado pelo jurista Ives Gandra Martins Filho, que defende a tese da separação.

Deste jeito, a defesa de Temer poderia usar esses argumentos em seu favor. No mínimo seria divertido.

O fato é que Dilma anda dizendo por todos os cantos, feito doidinhos de sanatórios, que ela “é a única que teve votos”. Assim, para propagar a narrativa, criou o mito de que no Brasil somente presidentes são eleitos, sem vices. Não é o que diz a lei, mas é o que requer a narrativa do partido.

Agora, Dilma faz de tudo para ser julgada “junto” com Temer. Assim, criamos uma realidade paralela.

Em uma realidade, Dilma foi eleita sozinha, sem Temer. Isso é dito para reforçar a narrativa de que “só ela tem votos”. Em outra realidade, Dilma foi eleita junto com Temer. Isso é dito para reforçar a narrativa de que ambos devem ser julgados juntos.

Em suma, ou ela reconhece que Temer teve os mesmos votos que ela ou teria que reconhecer que eles não podem ser julgados juntos. Logicamente, não dá para ter as duas coisas ao mesmo tempo.