O que Joe Biden deseja com Kamalla Harris?

Finalmente foi anunciada, agora há pouco, a escolha de Joe Biden pela senadora Kamalla Harris para ser a sua companheira de chapa nas eleições presidenciais dos Estados Unidos.

Em artigo publicado na semana passada pelo Mundo Conservador, eu já a havia colocado (leia aqui: https://bit.ly/3fStcE2) como a favorita para ser a vice do democrata.

Ninguém é escolhido à toa, e no caso de Kamalla Harris a intenção parece ser a de matar vários coelhos com uma cajadada só.

Em primeiro lugar, Biden precisava de uma vice que o aproximasse do eleitorado negro e feminino. Algo que, de forma geral, independente do candidato, é sempre positivo. Se levarmos em conta que o ex-vice de Obama tem uma péssima fama de racista e abusador de mulheres, Kamalla Harris vem muito bem a calhar.

Vale lembrar que, há menos de uma semana, Joe Biden deixou escapar em rede nacional de televisão a gafe de que “ao contrário da comunidade afro-americana, a comunidade latina é muito diversificada”. Uma década atrás, ele havia dito que Obama renderia um baita livro por se tratar do primeiro afro-americano articulado, brilhante, limpo e bonito.

O outro objetivo com a escolha por Kamalla Harris é tentar melhorar a percepção do eleitorado médio frente ao próprio Partido Democrata e à chapa presidencial. Os termômetros indicaram que o americano em geral não aprovou a radicalização e a guinada muita à esquerda dada pelos democratas recentemente, sobretudo no contexto dos protestos contra a morte de George Floyd.

Chamar para a vice a ex-procuradora-geral da Califórnia, que à época sempre foi contrária a propostas de desencarceramento e jogava pesado no quesito combate ao uso de drogas, é uma tentativa de mostrar ao eleitor mais moderado e até mesmo conservador que eles não estão tão próximos assim do Black Lives Matter. Ao mesmo tempo, a ala mais à esquerda fica satisfeita em ver uma militante das causas racial e LGBT concorrendo à presidência.

Entretanto, as ações extremistas de Kamalla Harris comprometem a sua aparência branda.

Donald Trump já iniciou um processo imediato de deconstrução de sua futura oponente, rememorando suas atuações como senadora. Além de apoiar o sistema universal de saúde proposto por Bernie Sanders, Kamalla tem uma série de propostas legislativas favoráveis à legalização do aborto, que a fizeram inclusive obter o conceito máximo de aprovação da entidade abortista Planned Parenthood.

Ao fim e ao cabo, Joe Biden, que já havia imposto uma dificuldade a si mesmo ao antecipar que escolheria uma mulher e com isso acabara limitando suas opções, terá que convencer o público que a parceira que o chamou de racista e estuprador no debate entre presidenciáveis foi escolhida para ele se redimir de seus pecados.

Por: Rafael Ribeiro

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